Lernu

lernu!

domingo, 16 de dezembro de 2007

Saudades...


Em cinco dias vou embora. Quando me lembro da ansiedade em me mudar para um lugar tão distante, parece que faz muito tempo. Era outra vida e, de certa forma, era outra pessoa. Lembro da primeira impressão da cidade, de achar um absurdo uma capital de estado não ter um shopping. A estranheza dos costumes, o trânsito caótico, absurdo demais para uma cidade pequena.

Mas isso foi rápido! Logo estava envolvido pelo trabalho, cultivando novas amizades e descobrindo mil coisas a cada momento.

Aqui eu aprendi a gostar de chuva, nada mais gostoso que o fim da estação seca! A certeza que vai chover como se o mundo fosse acabar, por meia hora, para depois abrir um sol lindo. Também aprendi a medir as distâncias em centenas de quilômetros... Nada a menos de 200 km está longe!

Pela primeira vez na vida eu havia encontrado um trabalho que combinava comigo. Exigia atenção, coragem e uma constante busca por novos conhecimentos. Adorei esse limiar entre a ação e o estudo! Aqui eu tive as aventuras com que sonhava na infância: A Selva, os vôos de helicóptero, os rios imensos e as árvores fantásticas! Foi aqui também que eu pude sentir a delicada transição da juventude para a maturidade, com as pequenas mudanças no corpo e as grandes mudanças na mente. Foi na Amazônia que eu verdadeiramente aprendi a amar o Brasil, sem esses ufanismos bobos de copa do mundo. Foi aqui, diante do contraste entre os ricos, que são exploradores no pior sentido da palavra, e os pobres que são absurdamente explorados, que eu por fim me desiludi com os políticos. Aqui eu aprendi que, o que importa é a sinceridade com que fazemos o nosso trabalho.

Saudade da casa, que tem a minha cara. Saudade da mangueira, das plantinhas do jardim e dos passarinhos. Saudade da rede na varanda. Saudade dos amigos, irmãos, que eu vou deixar de ver todos os dias. Saudade da academia, do sensei perfeito que eu levei a vida para encontrar. Foram quatro anos que, embora fantásticos, foram sofridos pela distância da família e dos amigos, de uma medicina de qualidade e das pequenas vantagens das cidades “desenvolvidas”.

Agora, começa tudo de novo: Nova cidade, novos desafios, novos futuros amigos... Ao mesmo tempo em que sinto essa saudade imensa, essa sensação de tristeza pelo que fica, vem a expectativa da nova vida.

Como será?

5 comentários:

maristela disse...

Oi, Helder. Te desejo um bom recomeço em novos desafios. E, se puderes, te peço um texto para a flavinha. Acessa o www.flaviavivendoemcoma.blogspot.com
bj

Patrícia disse...

Olá,
retribuindo a visita...
Boa sorte na nova vida! tudo vai dar certo!

maristela disse...

Espero que você tenha um natalzão, na nova casa. bj grande. aguardamos seu retorno ao blog.

Valdira disse...

Oi Hell,
gostei imensamente deste texto, mas é claro que eu sou suspeita... e é claro também que chorei ao ler, normal...
Está realmente difícil deixar o trabalho apaixonante deste Nortão! O que está me erguendo a cabeça e fazendo seguir em frente é que eu sei que você está aí a minha espera, para novas conquistas.
beijos

Fred disse...

Kra, muito legal o seu texto. Me identifiquei um pouco nele.
Sou de Goiânia, mas tem seis meses que estou trabalhando no Rio de Janeiro. Foi, e ainda é, uma fase difícil de chegar numa cidade onde não se conhece ninguem e nem a cidade.
Mas estou indo até bem.
O Rio é legal e bonito, mas toda vez que vou a Goiânia tenho vontade de largar tudo aqui no Rio e ficar em Gyn mesmo.
Cidade linda e bela é Goiânia.
Adoro ela!