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domingo, 14 de outubro de 2007

Crimes Ambientais na Amazônia (Blog Action Day)

Quem sobrevoa as áreas ainda cobertas por floresta Amazônica se admira com o “mar de árvores”. É fácil imaginar como os desbravadores se sentiam. A exploração dos recursos naturais na Amazônia, então, se baseava na idéia de que tais recursos fossem inesgotáveis.

O atual setor madeireiro não pensa diferente: É muito mais fácil e lucrativo fraudar documentos, subornar servidores e roubar árvores de terras públicas (Florestas Nacionais, Terras indígenas, ou áreas devolutas cobertas de mata nativa) e “legalizar” a madeira do que utilizar sistemas de manejo florestal. Daqui a 30 anos não teremos mais floresta? E daí?

Já ouvi da boca de líder do setor madeireiro em Rondônia “ É mentira que a madeira está acabando em Rondônia! Ainda tem muita madeira aqui!” Ouvi e não foi em conversa de bar... Foi em um seminário para engenheiros florestais! Sempre me lembro da história da galinha dos ovos de ouro. Mas não adianta. A ganância cega e obtusa não deixa esses “capitalistas” perceberem que estão inviabilizando o próprio ganha pão.

O negócio é assim: Entra-se em uma área de floresta e abre-se uma estrada com trator. Uma não, várias... Um verdadeiro labirinto de estradinhas, com pontes sobre os córregos... As árvores são escolhidas e derrubadas. Assim, sem cuidado, sem limpeza. Uma árvore de trinta metros vai ao chão, levando outras vinte e poucas árvores. Retira-se a parte mais reta do tronco, arrasta-se e à noite, leva-se para a serraria... Com alguma sorte não se encontra Polícia nem IBAMA pelo caminho. Com o devido conhecimento e os $$ necessários, a madeira passa por madeira legal, ganha nota, documentos para viagem e vai abastecer os mercados do Sul, do Sudeste... E o mercado internacional. Dinheiro fácil.

E quando encontra a Polícia oi o IBAMA? Ahh... Perde-se a madeira. O caminhão passa uns dias retido e é liberado... Multa, processo penal por crime leve... O verdadeiro dono do negócio nunca está por perto, quem dança é o pobre que está trabalhando. Vale a pena! A árvore foi de graça!

A estrada? Ficou lá: Dá para voltar e retirar mais árvores... As árvores caídas? Ficam lá mesmo... Depois alguém entra na área, bota fogo, semeia capim... A Floresta virou pasto.

Um bom exercício é “passear “ pelas imagens de alta resolução do Google Earth da Amazônia. É possível ver as toras em grandes áreas desmatadas e a fumaça das queimadas.

Não sou hipócrita... A madeira é um recurso natural praticamente insubstituível. Está presente em praticamente todos os setores produtivos. Seria uma utopia e um desperdício deixar de extrair as madeiras da floresta. Mas como fazer isso sem destruir a floresta? Existem métodos de exploração florestal, o chamado manejo sustentável, onde, com cuidado e planejamento (e investimento) as árvores são abatidas, causando alterações na Floresta sim, porém impedindo a extinção das espécies produtoras. Arvores são escolhidas e mapeadas. Uma parte delas é derrubada, utilizando métodos de derrubada limpa. Após décadas, esta área poderia ser novamente explorada, utilizando o mesmo sistema. É caro. A madeira obtida deste modo custa mais caro. Mas funciona. Está aí a Malásia pra provar.

Qual a diferença entre um traficante de drogas, e um empresário que legaliza, processa, compra ou vende madeiras roubadas da floresta?

Eu não consigo ver nenhuma.

A quantidade de dinheiro movimentada por esse negócio é da mesma magnitude, o dinheiro compra os políticos necessários e ganha eleições.

Acredito que esses criminosos têm que ser tratados como aquilo que são: Bandidos. Existe o caminho da legalidade, sim. Existem empresários honestos no setor e métodos corretos para a produção madeireira. Não podemos concordar com a desculpa da miséria da região ou com o velho discurso desenvolvimentista. Seria como defender o tráfico de drogas nas favelas do Rio de Janeiro para gerar renda para as populações carentes.

Os caminhos legais para combater esses crimes estão aí. Falta coragem e vontade à sociedade para enfrentá-los. Antes que seja tarde.

Blog Action Day